Bola Pesada

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Czar na Rússia, Fernandinho prevê liga muito equilibrada

fernandinho

Czar, ou Tsar, em russo, era o título dado aos grandes líderes no extremo oriente europeu. Dotados de poderes imperiais, os czares foram dominantes em seus períodos e não deram espaço para que outras lideranças surgirem, concentrando toda a força e dando as cartas na antiga Grande Rússia. Quem conhece a trajetória do brasileiro Fernandinho no futsal daquele país, logo entende porque aqui ele recebe essa alcunha tão ousada.

A Bola Pesada bateu um papo com o multicampeão Fernandinho que atua no Futsal Russo, mais precisamente na poderosa Liga Russa, defendendo o tradicional Dínamo de Moscou.  Ídolo local, ajudou o time a conquistar a Superliga de 2011, 2012 e 2013 além de ter sido fundamental no vice-campeonato europeu de 2012 e MVP no histórico título Intercontinental de 2013 organizado pela FIFA nos Estados Unidos, tendo assim, o título real de melhor time do mundo.

Apesar do domínio do Dínamo nos dois últimos anos, Fernandinho deixa claro que o favoritismo é relativo: “Desde que cheguei, cada ano a competição fica mais difícil. Esse ano não será diferente. Todas as equipes reforçaram muito bem. Tem o Gazpron, Dina, Tyumen,Syberiak e as outras equipes são grandes e podem chegar com certeza”, comentou em entrevista exclusiva a este blog.

Por mais que pareça apenas modéstia, o comentário de Fernandinho é bastante pertinente. Nomes como Carlinhos, Esquerdinha, Greuto, Carlos Goulart, Pula,  além do melhor jogador da última Copa do Mundo, Neto, entre outros, abrilhantam um campeonato que é considerado dos mais duros do Velho Continente: “o futsal russo é de muita força, diferente do espanhol que é mais tático. A Liga Futsal (no Brasil) é um jogo mais rápido, que não deixa de lado a força e a tática”.

Com um time encorpado pelas conquistas recentes, o grande objetivo do Dínamo é o maior título do Velho Continente, a UEFA Futsal Cup. Nas duas últimas temporadas, a equipe de Fernandinho bateu na trave, perdendo na final para o Barcelona e o Kairait (Cazaquistão). Para este ano, Fernandinho acredita que os campeões italianos podem chegar com força: ” O Marca Futsal tem um bom elenco e fez boas contratações, mas  sempre tem algum outro time que chega e dá muito trabalho”.

Copa do Mundo de Futsal 

Mas quem conhece Fernandinho sabe que não é só na Rússia que ele enche as redes com A BOLA PESADA. No Mundial, o pivô foi o máximo anotador brasileiro, com sete gols. Lembrando do fantástico momento, o craque prefere dividir os elogios: “Acho que em todos os jogos eu pude ajudar a seleção, mas o importante foi o elenco fechado e concentrado em todas as partidas para sairmos com o título”.

Em um dos maiores e mais emocionantes mundiais da história do Futsal, Fernandinho se lembra de particularmente dois jogos “para sempre”: o primeiro aconteceu nas quartas de finais contra os hermanos argentinos e o segundo foi a grande decisão contra a maior rival brasileira, a poderosa Espanha de Kike (eleito segundo melhor jogador da competição): “Os dois jogos foram épicos! Contra a Argentina, sair perdendo de 2×0 é muito complicado! Mas nós sabíamos que estávamos bem no jogo e na hora que saísse o primeiro gol teríamos força para recuperar. E foi o que aconteceu. Jogar contra a  Espanha e ainda mais numa final, e ainda por cima sair como campeão mundial, com certeza será  a partida mais marcante da minha vida”.

Para quem não se recorda, o Mundial da Tailândia também ficou marcado pela superação do monstro Falcão, que sofreu durante a competição uma paralisia facial, e mesmo com esse problema, jogou e foi importantíssimo para a conquista. Fernandinho também falou sobre isso: “Quando aconteceu a paralisia facial, ele falou que iria jogar! Então o vestiário ficou mais tranquilo. Com a vontade que ele estava com certeza faria um grande mundial, e como fez”.

Bate-papo descontraído

Numa parte mais descontraída da entrevista, Fernandinho contou como é viver na Russia e adaptação ao frio e a culinária – coisas que geralmente são motivo de “reclamação” por parte dos brasileiros. “O clima sempre é o mais difícil, mas Graças a Deus consegui me adaptar rápido. Na parte da alimentação, normalmente nos hotéis das concentrações,  é servido macarrão, sopa, carne e frango. Já em casa, minha mulher prepara comida igual do Brasil”.

Acostumado a ter uma torcida mais calorosa no Brasil, Fernandinho, que atuou no Círculo Militar, São Bernardo, São Paulo, Barueri, Ulbra e no Azkar Lugo, elogiou a torcida russa que, segundo ele, apesar do clima, não tem nada de fria. “Os torcedores estão sempre apoiando o time. Não são muitos que vão aos jogos do Dínamo, mas sempre fazem um barulho legal”.

Adaptado, bem sucedido e com um longo contrato assinado, fica difícil imaginar o retorno de Fernandinho ao futsal brasileiro. Pelo menos por enquanto: “Estou há nove anos na Europa e renovei por mais quatro. Claro que tenho vontade de voltar um dia para que minha família possa ir nos meus jogos, isso é o que mais pesa na vontade de voltar. Tenho muita saudade deles ali na arquibancada.Tive algumas propostas para voltar esse ano, mas como tinha contrato ficou muito difícil.”

Para seguir a carreira de Fernandinho e outros brasileiros no Velho Continente, é só acompanhar sempre o A BOLA PESADA, e ficar por dentro de tudo que rola no futsal brasileiro e internacional.

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